Voltei!
Tava pensando numa cena que vi no sábado.
Uma visão das prefunda dos inferno.
CASAMENTO DE POBRE
Cá entre nós, não tenho posses e nem pose mas sei lá, a cena marcou minha alma.
Visualiza:
1 - Sábado, 11 horas da manhã;
2 - Sol fudêncio, de rachar mamona e fritar cérebro;
3 - Avenida movimentada. É ônibus, caminhão de lixo, carroça com puxador e cachorro, caminhão da Brahma parado no meio da avenida.....
4 – Um cartório.
Pronto!! Começa assim o visual do quinto dos inferno.
Então, lá de longe vem aquela procissão do capeta composta de uma Belina, dois Kadett (um deles conversível), um Chevette e o Monza duas portas com uma noiva dentro.
Não bastasse a porra do Monza ter apenas duas portas, a noiva já vem vestida para igreja no dia seguinte. Imagina o conforto.
Juro que nunca entendi porque o pobre tem que ir todo arrumado pro cartório quando vai casar. Quer dizer, entendo que legalmente é necessário mas, puta que pariu, precisa, ir vestido como se fosse pra receber a Rainha Elizabeth??
Continua..... Olho pra Belina e vejo sair um casal com uma meia dúzia de criança. O cara com o terno que usou quando casou há uns 20 anos atrás. Ela vestida num vestido de veludo vinho que mais parece um bombom Sonho de Valsa.
Ele caminha até o porta-mala da Belina e quando abre a tampa saem mais dois meninos correndo.
Do Kadett conversível sai um cara de terno branco. Deve ser o noivo. A gravata vermelha foi o charme. Muito bem escolhida afinal, se é pra sifuder, que sifôdasse em grande estilo.
Mas, será que custava ele dar uma carona pra criançada da Belina?
Do outro Kadett sai uma senhora de uns 109 anos de idade. Indago: - Vai gostar de casamento na casa do caraio.
E pra tirar a velhinha do banco de trás? Era mais fácil ter socado a velha no porta mala da Belina! Tadinha. Parecia um gremilim. Acho que se tivessem fechado a janela o cabelo dela ainda estaria arrumadinho.
Da outra porta saiu Moises. Quase corri pra pedir autógrafo mas, sei lá, podia ser um cover. Fiquei imaginando. Se ele levantar a bengala nessa avenida aposto que o trânsito se abre.
A pergunta é: Tudo bem! Casar é bacana, mas não podiam levar os velhinhos só na igreja?
Ahhh o motorista do Kadett tava usando uma camisa hilária. Num sei se o cara tem trombose no pescoço ou se aquele colarinho é assim mesmo.
Do Chevette tiraram mais umas 3 crianças e um velhinho que parecia o Mestre Yoda. Quase fui abraçar e desejar que “a Força estivesse com ele”.
O chato é que pelo estado do Chevette, aquele velhinho num ia morrer de idade e sim de tétano.
Ainda pensei: Será que vão jogar ferrugem ao invés de arroz no casal?
O engraçado é que o noivo entrou no cartório e o povo foi seguindo.
A noiva não! Ela ficou dentro do Monza esperando alguma coisa. O tempo foi passando e ela dentro do carro. Um calor da porra e ela lá!!
Do nada surgiu uma CG125 com um casal. A moça da garupa desceu e começou a tirar fotos da noiva assada no forno do Monza.
Foi foto pra cacete. Cremdôspai!! Centenas de fotos.
A moça já fora do Monza ficou na porta esperando acho que o noivo (aquele do Kadett conversível, lembra?) e nada do sujeito aparecer. Então surgiu um carinha que pelo visto trabalha no cartório e pediu pra ela entrar porque já já iam fechar.
Naquela altura do campeonato eu já tava sentado no boteco em frente tomando uma garapa. Não ia perder aquilo de jeito e maneira alguma.
Já estava ficando preocupado com a demora quando finalmente saem os pombinhos.
Uma festa, os convidados jogando arroz, a senhora do vestido vinho alucinada gritando que "hoje é dia de fazer minino", o carinha do cartório pedindo pra não jogar a porra do arroz porque a tia da limpeza só viria na terça feira, as crianças correndo que nem uns capetas pela calçada, o cara do colarinho abraçado com o noivo e láááá atrás vinham o Mestre Yoda e os outros dois velhinhos que, pelo aspecto, estavam quase no ponto para assinar a própria certidão de óbito.
E as fotos????
O casal da CG125 era onipresente. Foto pra caralho!
Era foto com ônibus lotado ao fundo, foto com o cachorro no fundo dando uma bela cagada na rua, foto com duas das crianças quase sendo atropeladas pelo ônibus, foto com o carinha do cartório puto da vida fechando a porta, tem até foto comigo no fundo metendo o dedo no nariz.
E pra colocar esse povo todo nos veículos automotores?
A noiva dessa vez se jogou no Kadett conversível.
A meninada entrou como deu na Belina e duas crianças que sobraram tiveram que voltar no porta malas.
O Monza rebocou os velhinhos. Se tivesse uma carretinha seria melhor pra eles, era engatar e show.
O outro Kadett voltou leve, só o cara do colarinho lá dentro. Se bem que com aquele pescoço sei não, num voltou tão leve assim.
O Chevette tadinho, furou o pneu. Eu pensei que seria melhor o cara largar aquilo lá mesmo, pegar uma carona ou um ônibus pra ir embora. A questão dele é: Tudo bem ter que vir ao casamento, mas precisava trazer o Chevette?
Os fotógrafos subiram na CG125 e saíram tirando fotos. Acho que seriam fotógrafos ideais pra Faixa de Gaza.
E assim terminou tudo. Esperei a noiva jogar o buquet mas ela não o fez.
Então, paguei o boteco e fui embora pensando: Felicidade custa pouco, mas dá uma vergonha danada as vezes.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
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Sr. Zé (Ninguém):
ResponderExcluirNo fundo, bem lá no fundo - seja da mesa do boteco, ou do copo... acho que isso tudo é despeito!
O Sr. deve ser uum solteirão que nunca casou-se e fica botando esse dedo crítico no casamento alheio!
Ou então... a noiva não apareceu no cartório (nem de monza, belina ou kadet) lhe deixando afogando as mágoas no mesmo boteco.
Deixa o povo casar, eles são pobres mas limpinhos! Deixa eles procriarem!
Afinal esse povo trabalhador de cartório precisa ganhar dinheiro e aprender a atender os clientes com mais rapidez!
(Eita povo demorado, enrolado e vagoroso! Com certeza não ganham por dia, mas por enrolação!)
Parte I?
Vai ter continuação?
Mas será o Benedito!!